5 notas da silly season

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(Jornal do Centro – 22/08)

jc

A silly season de 2014 fica para a história. Exactamente por não ter sido. Talvez por isso me tenha apetecido deixar algumas notas.

1- Faltam 2 semanas para a eleição do próximo Presidente da Federação Distrital de Viseu do PS. Quem vencer terá um mandato de cerca de 9 meses. Mais um aspecto sui generis do actual estado do PS. Saúdo a coragem de Acácio Pinto e António Borges. Os militantes dividem-se, como é natural. Eu apoio Acácio Pinto, pelo que é, pelo que defende e pela força que pode dar ao PS no distrito de Viseu. E mais: é um apoiante de António Costa.

2- Faltam 5 semanas para a eleição do candidato do PS a Primeiro-Ministro. Um cargo que nem sequer existe, num processo que ainda tenho dúvidas que termine bem. Espero estar enganado porque afinal, os líderes passam, os militantes também, mas este grande partido ficará sempre. Com o seu património, com a forma como fez avançar o país e como interpreta os novos tempos.

3- O conflito israelo-palestiniano já traz consigo tempo demais e desgraças demais. Neste momento, há uma particularidade (e desculpem-me a constatação sem piada): é que qualquer pessoa consegue dar a sua opinião sobre isto, nomeadamente comentar as constantes tréguas e também o constante incumprimento das mesmas. Ainda não vos aconteceu ouvir isso de ninguém?

4- “BuyPartisan” é o nome de uma aplicação para smartphones que foi lançada nos EUA. Passando o telemóvel por um código de barras, são fornecidas informações aos consumidores sobre a cor política dos seus produtos. Esperemos pela criação em Portugal. Ainda vamos ver António José Seguro encarar esta aplicação como fundamental para separar a política dos negócios e para identificar em cada código de barras de cada deputado, a veracidade da sua exclusividade de funções.

5- A crise no Grupo e Banco Espírito Santo explodiu neste Verão, tal como a sua resolução. Resolução? Mas há quem acredite em soluções mágicas? Ainda não dispomos de uma noção clara do que está em causa e o Alexandre Abreu tem analisado muito bem tudo isto. Se é suposto que o banco “mau” concentre todos os activos tóxicos e imparidades, para que é que o banco “bom” precisa de uma recapitalização desta magnitude? Estamos a falar de um montante equivalente a mais de metade do orçamento anual para a saúde, várias vezes superior ao impacto orçamental dos chumbos do Tribunal Constitucional há poucos meses. Se o banco “bom” está assim tão necessitado de recapitalização, qual a garantia que temos que o buraco não continua a aumentar, como sucedeu no caso do BPN, e que os contribuintes não acabam por suportar as perdas? Se isso vier a verificar-se, desta vez nem sequer temos o direito de nos mostrarmos surpreendidos.

José Pedro Gomes

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