A lobotomia ocidental

By  |  0 Comments

Sabe o que simboliza o hashtag #i’llridewithyou? Eu explico. Aparentemente, uma mensagem que passou nos media, um pouco por todo o mundo, a propósito do acto terrorista no Café Lindt, em Sydney, não foi o assassinato de duas pessoas por um fundamentalista islâmico. Não, para muitos espíritos bonzinhos que tweetaram, num acto de profunda generosidade e demonstração de compaixão, aquele hashtag, para esses, as verdadeiras vítimas daquele crime são todos os muçulmanos que se sentiram, digamos, desconfortáveis com a atrocidade cometida em nome da sua religião da paz. Isto não só é narcisismo ou negação como é fruto de algo mais grave: a lobotomia do politicamente correcto.

Estas ternurentas alminhas projectam-se como moralmente superiores à restante carneirada, dita islamofóbica. Esquecem é que, como este caso prova, o medo do radicalismo islâmico não é uma fobia, um medo irracional; pelo contrário, é bem real e faz vítimas recorrentemente. Quantas vezes estes messias da diversidade, sob o manto de um discurso progressista, escondem o autoritarismo daqueles que gostariam de um mundo uniforme, em que todos perorassem o mesmo credo e adaptado aos ditames dos “oprimidos”? Quantas vezes estes dogmáticos da tolerância, em nome dela, demonstram incrível intolerância para com aqueles de quem divergem? Pergunta-se, certamente, o leitor: quem terá lançado o primeiro tweet? Rachel Jacobs, membro activo do partido Os Verdes. E está tudo dito. Não há pior radicalismo que o radicalismo da negação ocidental.

Graça Canto Moniz

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.