A luta continua…

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O Ansião da família conta-me histórias do antigo regime. Gosto! Não por ele, mas por mim. Alimenta-me a imaginação e faz “insuflar” o orgulho nas gerações que conquistaram os meus direitos. A eles o meu bem-haja!

O 25 de Abril de 1974, respira liberdade. Não para mim, não para o caro leitor, mas para todos. A liberdade não tem dono, não é propriedade de ninguém, nem conhece limites, até que esbarre na liberdade de outrem.

Há um estranho ímpeto de certas correntes ideológicas, para uma certa apropriação da conquista de Abril, dos seus ícones, personalidades e símbolos marcantes. O cravo, não me torna mais democrata, nem ouvir José Mário Branco me torna mais consciencioso. Com 40 anos, o 25 de Abril tem a maturidade de nos ensinar de que tudo é de todos e de que a rés publica, é legado nosso.

O que me incomoda e ceifa – nem sempre com a foice e o martelo -, o que deveria ser o espírito de um verdadeiro estado de direito, não é a pretensão de ver reconhecida a liberdade, mas a veemência com que alguns agentes reclamam para si essa conquista. Birras em estilo autoritário de querer tomar para si a palavra, abusos constantes contrários à vontade de quem elege, decisões contrárias aos direitos, liberdades e garantias, para esses, existe outro regime. Não serve a dēmokratía.

A conquista de um estado livre, é um princípio absolutamente indiscutível no que concerne à garantia de que todos, repito todos, somos iguais, mesmo quando temos opiniões diferentes!

Por isso temo não seguir uma certa tendência em ouvir Zeca Afonso em Abril. Prefiro-o em Novembro, a 25. Lembra-me liberdade. Mas isso é de mim, que sou filho dela!

Rúben Fonseca

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