A mentira

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Texto publicado no Jornal do Centro do dia 20.02.2015

 

Com algum espanto li que o PS tinha acusado o Presidente da CMV de produzir declarações mentirosas. Um dos motivos que me leva a criticar a esquerda é a tendência que esta revela para a mentira como método político paredes meias com a idealização. Antevejo que, dentro de algum tempo, o caso da Grécia será mais um bom exemplo que ficará para a História a acrescentar ao da União Soviética, Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba ou Coreia do Norte. Nalguns destes países, a verdade ainda não foi descoberta porque está fechada a sete chaves.

Apesar de tudo, compreende-se a acusação: é que o PS liderado por António Costa entrou numa nova fase: a das incertezas e da falta de compromissos.

Ainda assim, a mentira é um pau de dois bicos e não podemos subestimar a necessidade que alguns eleitores têm da mentira, daquela meia verdade que tranquiliza. Almeida Henriques, ou melhor, Jorge Sobrado bem compreende isso. Todos os outros são responsáveis, menos nós. É essa a estratégia epistolar desta nossa “sociedade civil”. Há muita irresponsabilidade nestes dias, alimentada pela automática demonização dos outros, responsáveis pelas nossas desgraças. Em política, ameaçar com tribunal logo que confrontados com as nossas falhas é o mais forte sinal de reconhecimento da própria incapacidade. Bem se vê.

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