Agustina dantes. Agustina d’hoje

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Abro o “diário” de Miguel Torga* e leio, a páginas tantas, a citação de Amiel: “chaque jour nous laissons une partie de nous-mêmes en chemin”. Poderia citar tantos outros Amiel’s, tantos outros poemas, mas não preciso de nenhuma sumidade que me ateste aquilo que o tempo, a seu jeito, e os outros, com o seu desleixo, me oferecem como prova: isto de a gente ser grande é mesmo como se pinta. Dia a dia não se dá por nada e os outros, melodiosos e sem culpa, aproveitando esses instantes terríveis que são os encontros furtivos e inesperados ao virar de cada esquina, vão mentindo: “estás na mesma, não mudaste nada”. “Há coisas que fazem tanta pena“, disse Agustina num livro qualquer. Será uma ofensa eu agora afirmar: há coisas que fazem tanta saudade? Agustina dantes. Agustina d’hoje.

Fecho o livro, arrumo-o na prateleira e volto às minhas rotinas. Há outras coisas para fazer, também.

 

*O volume I a IV, da D. Quixote, com uma belíssima capa amarela.

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