Aviso à navegação e à negação

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artigo jc 30maio

Jornal do Centro (30 de Maio de 2014)

“É difícil não sair destas eleições com medo. O medo de não perceber como pode acabar o que já começou. Quem não tinha visto até ontem, viu agora. A chicotada no regime em Portugal. A decadência da União Europeia. O desabamento do sistema começa dentro do sistema.”

Pedro Santos Guerreiro começou assim a sua análise, na qual me revejo. Os resultados das eleições europeias são um aviso à navegação da Europa, de Portugal, e a todos os partidos, sem excepção. Reflectem a crise da Europa e ainda uma falta de distinção entre as propostas das duas forças políticas principais.

É por isso que o chamado “centrão” continua a encolher. A democracia faz-se de escolhas e com partidos. O que temos vindo a assistir é à falta de distinção entre os principais partidos e à ilusão de que independentemente de quem ganhe, a “pauta” está definida e é segundo ela que se devem reger.

Afinal, qual é a diferença entre os principais partidos? Um povo a atravessar enormes dificuldades, um problema grave de cidadania, um sentimento de injustiça e a cada vez maior necessidade de alianças conduziram a esta incapacidade para distinguir.

O meu período de reflexão não foi na véspera das eleições. Foi depois de tomar conhecimento dos resultados.

Não cantei vitória e não fiquei contente. A minha conclusão é simples: o PS não foi capaz de mostrar que conseguirá fazer diferente. E isso é grave, com 3 anos desta governação.

Na noite eleitoral, a mensagem deveria ter sido a de que este resultado não chega. A liderança do PS deveria ter mostrado que não ficou contente com o resultado e de alertar os portugueses para a necessidade de um apoio verdadeiramente forte. Este alerta tinha que ser feito entendendo, com humildade, os sinais que povo quis dar.

O país precisa de um governo com larga maioria e de uma alternativa consistente e ganhadora. E para isso, este é o momento de um debate intenso no seio dos partidos da esquerda portuguesa. O PS tem mesmo que o fazer. Urgentemente. Este, para além de ser um aviso à navegação, é também um aviso à negação. Não está tudo bem.

José Pedro Gomes

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