Chegar a 2020 vs Regressar ao Passado

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Vamos aceitar que estas políticas tinham que existir. Tínhamos que sofrer e empobrecer. Vivíamos acima das nossas possibilidades.

Vamos aceitar os 3 anos de recessão, a dívida pública a chegar aos 130% do PIB, os 9,1 mil milhões retirados da economia e o facto da mesma ter recuado 13 anos. Tinha que ser assim! Vamos aceitar as 3.641 empresas falidas, os 200.000 que emigraram em 2 anos e os 826.700 desempregados. Não havia outra forma!

Aceitando isto, vamos ao foco principal. Que país queremos em 2020? Qual a estratégia e quais as prioridades? Quais os instrumentos de transformação no sentido do desenvolvimento económico?

Perspectivamos 2020 e vemos que os fundos comunitários, representados no Acordo de Parceria entre Portugal e a Comissão Europeia, poderão constituir a alavanca e a esperança para compensar os efeitos da acção do Governo.

O problema é que o Governo, para além de ter feito o que fez, não tem uma estratégia para Portugal e para a especialização da economia, não cumprindo esse critério perante a Comissão Europeia.

Assim, como esperávamos, não podemos aceitar o que já foi feito, ou neste caso, desfeito. O Governo fala em reindustrialização e há destruição líquida de emprego. Fala nas exportações, e mais de 1/2 das mesmas dependem de uma só empresa, assistimos à redução do peso da alta tecnologia, à destruição da capacidade produtiva e apenas a uma reorientação sem graduação perante um mercado comprimido pela austeridade.

Se desejamos melhores condições de vida, temos de assumir que elas dependem das estratégias de especialização inteligente dos próximos anos. Os fundos comunitários têm consequências estruturais na economia, como aconteceu no sector do calçado português, mas são limitados, sendo necessário fazer escolhas e dizer quais serão as prioridades do futuro. Queremos chegar a 2020 ou regressar ao passado?

José Pedro Gomes

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