Discurso no XIX Congresso Nacional da JS

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Estamos todos aqui hoje num momento histórico.

40 anos depois do 1º Congresso da nossa JS, este regresso a Tróia reveste-se do maior simbolismo e da maior importância para todos nós. Tenho de dar os parabéns à direcção da JS e ao Nuno Chaves, Presidente da COC, por esta ideia, por esta concretização, no fundo, por este “regresso às origens”.

Reafirmo: estamos todos aqui hoje num momento histórico.

Num momento histórico, porque nos têm dito 3 coisas fundamentais, nos últimos 3 anos: que “Vivemos acima das nossas possibilidades”. “Não há alternativas”. “O único caminho é este”.

Esta tese, que aliás o Governo português tem usado, é um sucesso.

Tem impacto na sociedade. Tem impacto na opinião pública. Sustenta-se a si mesma. Condiciona o debate. E fecha o universo do pluralismo.

O PS também teve culpa nisto. Aceitou a tese, aceitou a agenda e partiu do princípio de que a ideologia dominante era inquestionável, tínhamos só….que ir mais devagar. E estava a perder o debate. Um debate onde se coloca a moralidade, num momento em que os partidos deixam de ser reserva moral da sociedade. Onde se coloca o esbanjamento, numa crítica constante à esquerda que não consegue responder a esse populismo e imediatismo. Onde se coloca a própria relação natural de Portugal com a pobreza, lembrando outros tempos, e usando-a como colateral.

Apesar de todos estes princípios serem perigosos, tudo isto é feito com sucesso, como disse. Aceitam-se as alterações na legislação laboral, perdendo a parte mais fraca. A classe média fica paradoxalmente cada vez mais abandonada e sem defesa, tanto por parte dos discursos do PS como do PSD, quando ela própria foi o principal alvo da austeridade. Assistimos a um claro ambiente de impunidade no seio da governação e à ausência de manifestações e protestos, como nunca se viu, por parte de uma “maioria do contra” que existe, mas não tem expressão política. Ouvimos constantemente o discurso da divisão, entre “novos e velhos”, entre “privado e público”, numa divisão social sem paralelo, em que nos dizem que “uns têm de pagar o ónus”. Decidimos ser mais europeístas no preciso momento em que a Europa é “menos Europa” e aceitamos os termos de um pacto orçamental devastador, inimigo do desenvolvimento e que nos coloca submissos.

Caros camaradas e amigos: é o sucesso do pensamento único. Do discurso das “inevitabilidades”, da obediência acrítica, do medo, da ausência de liberdade e de independência.

Tudo isto está ligado a fragilidades ideológicas, que demoram tempo a ser colmatadas. Mas com o PS agora liderado por António Costa, esperamos todos uma grande evolução nesse sentido.

Afirmo novamente: estamos todos aqui hoje num momento histórico. Histórico para a juventude portuguesa.

A tarefa da JS no meio de tudo isto é fazer com que este tal sucesso do pensamento único seja mais conjuntural do que estrutural e que estejamos no rumo das alternativas.

É preciso, tal como afirmamos todos aqui hoje, estar à frente do nosso tempo. E se for preciso, tal como já fizemos tantas vezes no passado, estar à frente do próprio PS.

Estar à frente do nosso tempo significa, portanto, várias coisas.

– Significa estar em sintonia com a linha de acção do PS liderado por António Costa (estar em sintonia, mas sem perder a autonomia. E quem está em sintonia com esta liderança, está no caminho do sucesso);

– Significa olhar em frente para além do próximo mês e do próximo ano, em termos de políticas públicas;

– Significa encontrar as verdadeiras respostas para os verdadeiros problemas que o país enfrenta;

– Significa inovar e por isso, encontrar formas de chamar os jovens que abandonaram o nosso país em busca de melhores condições de vida e colocar lado a lado, em regime de tutoria, gerações diferentes no local de trabalho;

– Significa não desistir e assumir sem amarras o que queremos e quem queremos defender: as pessoas, e não os mercados.

– Estar à frente do nosso tempo significa provar algo que é tão difícil de provar hoje em dia: que é possível conciliar uma economia de mercado com um estado social. Que é possível uma economia forte e níveis altos de assistência social.

– Significa ultrapassar barreiras, nomeadamente a maior do nosso tempo: a incerteza do nosso presente e do futuro da nossa geração.

– Significa estar à altura do que nos exigem. E também, meus caros, significa estar à altura do que queremos e desejamos, e do que quer e deseja a juventude portuguesa.

No momento actual, são muitas as vantagens que estão perante nós.

Temos a JS organizada, preparada e formada. Temos propostas e ideias ambiciosas e motivadoras, por exemplo, nesta Moção Global de Estratégia para a qual tive a honra de contribuir.

E temos o João Torres. (e é assim que quero terminar…) Um líder que tem o estilo, tem o conteúdo e tem todas as capacidades para nos conduzir nesta viagem e neste caminho.

O João fez o seu caminho até aqui. Mas todos nós reparámos numa coisa essencial.

Ele sabe que este é um momento histórico e nunca quis fazer esse caminho sozinho.

E estes 2 anos de proximidade, esta união, e este Congresso são mais uma prova disso.

Tenho a certeza que posso falar em nome de todos os delegados.

Do continente, dos Açores e da Madeira.

Força João! Podes contar connosco!

Nestes 2 anos, ousámos e acreditámos! Nos próximos 2, seremos protagonistas do progresso e da alternativa que o país precisa.

Juntos, vamos conseguir realizar o que idealizamos.

Juntos, estaremos à frente do nosso tempo. Força JS!

José Pedro Gomes

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