“Dizer não, em tempos de dizer sim”

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Jornal do Centro – 09/01/2014

Este título vem a propósito das juventudes partidárias e das críticas de que estas são vítimas habitualmente. Costumam ser os “virtuosos da política” a fazê-lo, dos quais desconfio sempre. Como é raro vermos colunistas a defender estas organizações, eu pretendo dar 3 notas sobre isso.

Primeiro: Idealmente, o que devem ser estas organizações? Escolas de formação cívica e política? Sim. Locais de debate e confronto de ideias? Sim. Espaços com “peso” para influenciar a vida das pessoas e poder fazer a diferença? Sim. No entanto, tal como tantas outras organizações, são naturalmente feitas de pessoas e geridas por pessoas, e nem sempre agem da melhor forma. Num mundo onde tudo acontece tão rápido, onde se exigem tomadas de posição para ontem (sem pensamento consistente), onde há informação a correr por todo o lado (o que não quer dizer que seja a melhor), onde se exige mais e mais (sem implicar mais qualidade), as juventudes partidárias ainda se constituem como uma das melhores experiências de vida, pelo conhecimento que proporcionam, pela dimensão social que apresentam, pela prudência e avaliação de riscos que ensinam, pela intuição que despertam, pela assumpção de desafios comuns e partilha de responsabilidades, potenciadores de um espírito de cidadania pró-activo e altruísta. Haja quem aproveite o que de melhor têm para oferecer, e haja quem esteja disponível para contribuir e construir um futuro melhor para as comunidades.

Segundo: Uma juventude partidária de âmbito local (concelhio e distrital) será mais forte, quanto mais diferença fizer na vida das pessoas. Isso não é fácil, mas é crucial. Uma organização que veja reconhecido o seu trabalho no dia-a-dia, através da concretização daquilo que idealiza, fica perante a maior prova de que a sua existência faz sentido. É isso que cada uma deve seguir. Esse objectivo e essa ambição. Conheço bem algumas estruturas pelo país. Posso dizer que o que se vai fazendo um pouco por todo o lado, por tantos jovens, é do melhor que há. Em termos de pensamento, de inovação, de apoio social, de capacidade de influenciar decisões públicas. Do melhor que há, mesmo.

Terceiro: Os jovens dirigentes não devem ter receio de se assumir como políticos. São políticos. E são reconhecidos por isso nas suas comunidades. Talvez comece aí a renovação do orgulho e da mais-valia que deve ser a dedicação à causa pública. Essa mais-valia que é reconhecida lá fora e que em Portugal parece ser cada vez mais uma mancha no percurso. Os avanços na história aconteceram assim: com vontade de transformar e agindo nesse sentido, com uma agenda de princípios e valores. Mas, neste tempo, parece que temos todos de pensar o mesmo e da mesma maneira. Não há alternativa. E é neste tempo, que os tais “virtuosos da política” gostam de viver. As juventudes partidárias não. Haja quem diga não, nestes tempos de dizer sim.

José Pedro Gomes

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