Economia e Música

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Na Quadratura da Sé, para além de partilharmos opiniões, também partilhamos hábitos e gostos. Neste sentido, e falando de mim, a economia e a música têm grande importância na minha vida e merecem hoje destaque através de 2 livros que pretendo destacar e recomendar.

O primeiro é de Ricardo Paes Mamede: “A Economia como desporto de combate”. É um autor que acompanho há algum tempo através do blogue “Ladrões de Bicicletas”.

Ricardo Paes Mamede_ copyright Pau Storch1
Depois do livro “O que fazer com este país” (é uma afirmação e não uma questão), o autor tem ocupado cada vez mais a agenda de notícias e de debates em Portugal.

Este livro resulta de um conjunto de posts publicados no referido blogue desde 2007. Um ano crucial de pré-crise económica e financeira mundial, onde o interesse pelos temas económicos se intensificou. Por isso mesmo, são artigos de leitura fácil para qualquer um e que constituem um combate sério, e a meu ver necessário, por ideias alternativas ao pensamento único, revelando, insistindo e provando as suas insuficiências. Foi isto que o autor pretendeu fazer nestes 9 anos, acompanhado dos restantes autores do blogue. Num período em que, como é referido, “a economia se transformou num desporto de combate, contra a suposta inevitabilidade do desemprego, das desigualdades sociais e da instabilidade permanente.”

Se gostam de lucidez e até de contundência na análise de temas económicos, este livro (e este autor) cumpre isso plenamente.

a economia como desporto de combate

O segundo livro é a nova biografia de Paul McCartney, “The Life”, de Philip Norman.
Este ainda não o tenho. Mas para quem tem “The Beatles” como ídolos, tem também certamente uma enorme vontade de saber mais sobre as várias dimensões da vida de Macca, não esquecendo obviamente o papel central da música. E saber que é de Philip Norman, autor de biografia de John Lennon e de “Shout!”, é garantia de coisa boa!

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São mais de 800 páginas. Sobre a relação com John Lennon. O fim dos Fab Four. A forma como “deu a volta” a isso tudo. Sobre a infância e a família. Os seus interesses e a sua maneira de ser.

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Destaco ainda estas “linhas” de Pedro Cordeiro no Expresso:
“O McCartney das “silly love songs”, visto por muitos como o Beatle “fofinho” e superficial, em contraste com o profundo e iconoclasta Lennon, sai efetivamente redimido em “Paul McCartney: The Life”, escreve “The Guardian”. Norman parece corroborar, por fim, a ideia de George Martin, o recém-falecido produtor dos Beatles, segundo a qual “John era limão onde Paul era azeite”, que é como quem diz que são precisos dois para temperar a música da banda mais bem-sucedida de sempre.
O diário britânico nota até que há uma dose de “paninhos quentes diplomáticos no tocante às qualidades menos atraentes” do biografado, mormente a escassa simpatia e generosidade dispensada a empregados e subalternos. McCartney não colaborou diretamente com Norman, mas tão-pouco o hostilizou.
A biografia é tacitamente autorizada e conta com contributos inéditos de amigos e parentes. E não se pense que é hagiográfica: autoritarismo e desejo de autopromoção são características de Paul que Norman aborda, bem como o sexismo dos Beatles e a avareza do mais célebre dos seus membros sobreviventes.”

A ler!

José Pedro Gomes