Enganos diários

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Jornal do Centro – 06/03/2015

Muito se tem falado na ausência de propostas por parte do PS e são muitos os que acreditam nisso. Não os condeno, mas quero ajudá-los. Poderia usar a História como auxiliar, porque de facto, não é do “Syriza”, do “Podemos” ou do “Livre” que estamos a falar. Afinal, 2015 não é só um ano de eleições legislativas. É mesmo um ano histórico. São os 40 anos da Assembleia Constituinte. Os 40 anos do comício do PS na Fonte Luminosa. Os 40 anos da formalização do PS. São os 30 anos da Candidatura de Mário Soares a Presidente da República. Os 30 anos da negociação da adesão de Portugal à União Europeia. São os 20 anos dos Estados Gerais de António Guterres. Os 10 anos da primeira maioria absoluta do PS. São momentos marcantes que evidenciam as respostas e as propostas do PS ao longo do tempo. Sempre as teve e sempre as terá.

Mas nem vou por aí. Concentremo-nos e deixemo-nos levar pelo curto prazo. Pelas respostas para o imediato. Por mais que o PS aceitasse as políticas deste Governo (que não aceita), por mais que concordasse com a visão deste Governo (que não concorda), o PS nunca poderia pactuar com o actual estado do país. Nunca. O mínimo dos mínimos que se exige a um partido como o PS, é que lute por aquilo em que acredita.

Os dados são públicos e inequívocos. A economia caiu mais de 5% em 4 anos. O PIB real em 2014 está ao nível de 2001. O investimento está ao nível de 1986. As importações aceleram. As contas externas continuam desequilibradas. O investimento público e também o privado baixam significativamente. Não há, portanto, nenhuma transformação estrutural da economia. O PS, como sempre, defende o investimento e a modernização da economia, travando a austeridade e estimulando a procura. Por isso, as propostas mais recentes são: fundo de capitalização a benefício das empresas, financiado por reembolsos de fundos comunitários, fundos públicos e vistos gold; garantia da neutralidade fiscal entre capitais próprios e alheios; acesso privilegiado a fundos comunitários para empresas integradas em clusters ou pólos de competitividade; diversificação das aplicações do fundo de estabilização da segurança social, no sentido da reabilitação urbana; alargamento das verbas a fundo perdido cedidas a empresas; revisão de regras e limitações em matéria de acesso a verbas comunitárias.

Vivemos tempos difíceis. Difíceis e velozes onde todos querem respostas urgentes para o imediato. Para o curto-prazo. Para o que vai acontecendo. Mas falamos de um país (e da sua economia), onde o lema “arrumar a casa” para depois crescer, não funciona. Há uns meses, António Costa disse bem o que queria e como queria fazê-lo: pensar o país a 10 anos, a longo prazo, perspectivá-lo e construí-lo. Só assim chegaremos a algum lado, queria ele dizer. Não está a enganar ninguém, nem está enganado. Está a ser bem claro. Aliás, actualmente a questão fundamental nem é a de saber quem está enganado. É, por outro lado, a de saber quem é que anda a enganar o país. A resposta tem surgido diariamente. 

José Pedro Gomes

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