Entrevista – Cadeira Amarela

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Cadeira Amarela – parceiro da Quadratura da Sé.

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Nuno Correia

Director de Produção & Management na Cadeira Amarela

O Nuno tem 33 anos e é Licenciado em Psicologia.
Benfiquista e amante de espectáculos e viagens, é Produtor Cultural desde 2007.

Conheçam melhor o Nuno e a empresa “Cadeira Amarela”.

Vamos à entrevista.

Quadratura da Sé (QdS): O que é a “Cadeira Amarela”?

Nuno Correia (NC): Somos um dínamo cultural! Assumimo-nos como fornecedores de conteúdos, mas somos mais do que isso. Somos agência, produtora de espectáculos e mais recentemente editora musical independente.

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QdS: Como surgiu esta ideia e quem foram os mentores?

NC: A ideia vem de longe. Eu e o Manuel Bento já vínhamos de um percurso a trabalhar como freelancers em várias áreas ligadas ao espectáculo e à cultura. Em 2012 decidimos pôr em marcha um projecto que se materializou como a “Cadeira Amarela”. Queriamos trabalhar com criativos, criar uma estrutura que pudesse servir outros profissionais independentes como nós, mas que ao mesmo tempo fosse em si mesmo um projecto de intervenção no contexto e na cidade onde nos inserimos. Numa primeira fase, trouxemos para Viseu um novo paradigma de trabalho e criamos o primeiro espaço de Co-Work da cidade e posicionamo-nos como espaço de encontro de criativos. Designers, músicos, ilustradores, fotógrafos, produtores audiovisuais, escritores, jornalistas, estilistas, psicólogos, … Todos juntos a partilhar espaço, ideias e vontades. Ao mesmo tempo desenvolvemos a agência e investimos na profissionalização das bandas do circuito alternativo da região de Viseu. No último ano, optámos por nos dedicar a 100% à agência, canalizando todo o esforço nesta área, que sentimos ser a que mais nos preenche, mas também a que precisa de maior impulso na cidade. Desde o início, o processo tem passado por identificar necessidades no mercado e procurar elaborar respostas para as questões que encontramos. Hoje colocamos Viseu no mapa da criação musical alternativa e estamos a trabalhar a par com outras editoras e agências independentes do país como a omnichord records, a azáfama, zigurartists, lovers and lollipops, entre outras na criação e estabelecimento de novos circuitos, novos projectos e também novos públicos.

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QdS: Tudo começou como um espaço de co-working. O que mudou desde então?

NC: Tudo começou na nossa vontade de trabalhar com pessoas criativas com vontade de desenvolver projectos. Isso não alterou. Houve no entanto várias mudanças… Estamos a cumprir este mês o nosso 4º aniversário… Focámo-nos nas artes do espectaculo a 100% e optamos por não continuar o investimento no espaço de cowork, programamos centenas de concertos por ano, estabelecemo-nos como editora independente, colocámos como missão a contribuição para que a cena musical da região seja reconhecida a nível nacional, produzimos e potenciamos eventos em várias partes do país… Tem sido um bom caminho…

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QdS: Expliquem-nos melhor a vossa relação com a música. O que fazem? Há alguma identidade vincada nos vossos projectos?

NC: Como tenho vindo a explicar, a nossa relação com a musica está presente desde o inicio do projecto. Foi no entanto preciso criar as bases para podermos apostar nesta área a 100%. Quando começámos, em Viseu tÍnhamos muito talento mas… pouco mais… Poucos eram os projectos (bandas) a conseguir estruturar um ano de trabalho, a durar um ano, ou até mesmo a colocarem-se em perspectiva no panorama nacional. Hoje a realidade não é bem essa e sentimos orgulho da nossa parte nesse processo. Assumimos como missão ajudar as bandas, criar circuitos de programação e formar pÚblicos. Quanto à identidade, penso que sim… Mas não arriscamos a dar-lhe uma definição… até porque não acreditamos muito em categorizações… Estamos ainda numa fase muito precoce deste projecto. A Cadeira Amarela tem apenas 4 anos… às vezes custa a acreditar… temos vindo a crescer e a definir de forma natural aquilo que somos e quem está connosco. Olhando para o nosso catálogo e para grande parte do que programamos, podemos dizer que apostamos na nova musica portuguesa, projectos como Lavoisier, Grutera, For Pete Sake mas também como Galo Cant’as Duas, Búfalo Sentado, Sax On The Road ou Smoking Beer. Há uma aposta clara nos projectos locais e na promoção dos mesmos a nível nacional.

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QdS: No final de 2012, produziram vídeos de promoção de Viseu. Como ficou esse trabalho?

NC: Foi evoluindo, e como tudo o resto, foi-se tornando clara a nossa apetência para trabalhar com músicos. Fizemos um trabalho de fundo, produzindo para a Musica Portuguesa A Gostar Dela Própria. Registámos com o Tiago Pereira muita da memória viva do distrito mas também projectos contemporâneos como foi o caso de MDG’s, Tranglomango ou Smoking Beer. Um dos acervos que mais nos deu gosto fazer foi o de registar o fado “de” Viseu e seus “actores” e locais. Juntámos a Mara Pedro, o Aventino Sousa e muitos outros a cantar e a tocar o fado nas ruas da cidade… depois desse nosso desafio já muitos se juntaram para potenciar novos projectos, da mesma forma que depois de insistentemente filmarmos na casa “Boquinhas” este espaço ganhou nova atenção e se renovou o carinho perante este espaço. Criamos depois também o projecto Yellow Clips. Como na MPAGDP não trata especificamente de Viseu mas coloca a cidade/região e o que por cá se faz junto do que se faz no resto do país. Acreditamos que isso é importante para que se valorize o trabalho e as características muito próprias de quem aqui produz cultura, nas suas mais variadas formas. Sem essa contextualização é impossível gerar massa critica.

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QdS: Novos projectos para o futuro?

NC: Não nos faltam projectos… Não sabemos quanto tempo irá demorar até conseguirmos concretizar muitos deles, mas estamos decididos a fazer vingar os nossos sonhos e os dos que connosco trabalham… Podemos avançar que queremos criar condições para que mais músicos possam levar os seus projectos em frente. Isto significa que há um conjunto de estruturas que vamos colocar no terreno durante os próximos anos. O desenvolvimento da editora será também alvo de grande investimento, somos a única label da região e isso terá que ser trabalhado de forma inteligente. Quanto a bandas, estamos a investir bastante no percurso de projectos como Galo Cant’as Duas.

QdS: O que faz falta a esta cidade, na tua opinião?

NC: A cidade está a passar por um processo de crescimento e de formação de massa crítica no que ao panorama cultural diz respeito, com tudo o que de bom e mau isso representa… podia dizer metaforicamente que estamos a experienciar uma espécie de adolescência cultural… Há fome de coisas novas, de afirmação… é um período interessante este. Compreendido isso, penso que faz falta à cidade um comboio, um hostel, residências artísticas, maior diversidade na oferta de emprego e salários maiores… não sejamos ingénuos, sem emprego e dinheiro não há grande vontade do público em investir na cultura. Também faz falta uma gestão mais consciente do edificado… as rendas na cidade são desadequadas para que mais projectos culturais se instalem e isso leva a que muitos locais onde poderíamos encontrar galerias e outros projectos, estejam ao abandono…

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QdS: E no que diz respeito à actividade da Cadeira Amarela, o que vos faz falta em Viseu?

NC: Faz falta uma sala de média dimensão que se torne referência no circuito nacional e que não exclua a produção artística local. Num momento em que sentimos que vários projectos culturais realizados por viseenses ganham destaque a nível nacional, também sabemos que a cidade ainda não os conseguiu integrar da melhor forma. Continuamos a não ver Moullinex, Fingertips, Samuel Úria, The Dirty Coal Train referenciados como oriundos de cá… da mesma forma que não se fala de músicos como André Silva (bateria) ou Francisco Sales (guitarra), actualmente a tocar em alguns dos melhores palcos mundiais e que continuam a ver palcos fechados nesta cidade… Penso que a tal contextualização é necessária, saber que se produz muito e com qualidade aqui e que sendo de cá devem ser acarinhados, não num sentido proteccionista mas no sentido de potenciar o trabalho e o crescimento. Viseu está na moda, mas os viseenses ainda não…

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