Governo a 10%

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Um por todos, e todos por um. Pois é, estamos todos nas mãos do governo…do Bloco de Esquerda. Quem ganhou eleições foi o PSD, quem formou governo foi o PS, quem governa é o BE. Já seria de esperar, pois como toda a gente sabe, o PS não reúne maioria no parlamento e precisaria sempre do apoio de terceiros. Mais difícil fica quando nem sequer está alinhado com a irreverência e ilusão política dos partidos mais à esquerda que suportam a tal maioria parlamentar. António Costa parece estar apenas a adiar a sua saída da cena politica, mas enquanto nada acontece continua a sorrir para as câmeras.

Dá pena ver quando os interesses pessoais se sobrepõem aos interesses colectivos, mas é intrigante ver um senhor que para safar a sua pele está a decompor todos os esforços feitos pelos portugueses nos últimos anos. Foram feitos sacrifícios para agora vermos uma gestão com base em medidas populistas.

Dá a ideia que ainda estamos em campanha eleitoral. Os últimos gloriosos 6 meses têm sido praticamente dedicados às 35 horas de trabalho, reposição de feriados, aumento de salário mínimo para 530€, permissão de adoção por casais gay…

Uma das coisas que mais aprecio num governante é a sua capacidade de governar sem pensar se ganha eleições a seguir. Para quê pensar no próximo mandato, se ainda agora começou este? A seriedade na política está escassa. Não se trata de políticas mais ou menos bem conseguidas, porque nisso podemos até admitir que o governo anterior liderado por Pedro Passos Coelho pode ter falhado em algumas linhas estratégicas. Mas com certeza, acertou noutras. Prova disso, é que Portugal começou a ter boas referências nos mercados internacionais.

Ambição, seriedade e forma de estar em organização são coisas distintas. António Costa não sabe o que é isto, lutou com todas as suas forças para acabar com colegas da sua organização partidária, alcançou fins sem olhar a meios para ser ele a formar governo, e agora tem uma batata quente na mão com um palito espetado com etiqueta a dizer “10%”. Podia ser uma promoção do Kg de batatas no supermercado, mas não, arrisco-me a dizer que é a percentagem de votos de confiança que ele tem dos portugueses. São os 10% de eleitores portugueses que acreditavam que o próprio António Costa não teria capacidade de governar e que então votaram na alternativa BE convencidos que este partido com alguma expressão no parlamento podia fazer ver os partidos maioritários de que é preciso mudar a rota da gestão governativa. Mais ninguém acredita realmente em António Costa. Este é o governo a 10%.

Gustavo Brás