Imbróglio.

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Mais um tiro no pé! Só assim se explica a terrível posição em que o Sr. Primeiro-ministro ficou, depois de explicar a calculada dívida de 31 de Outubro de 1999 a 1 de Setembro de 2004 – ao que parece já liquidada – à Segurança Social.

Questiono-me por diversas vezes o porquê dos políticos, (nomeadamente em cargos de maior responsabilidade e exposição), não reverem detalhes da sua vida que sendo privada, entra na esfera pública na altura do escrutínio. Chego então à conclusão que, regra geral, a classe política portuguesa é impreparada e não é de agora – da direita à esquerda -, do ponto de vista politico e social, tem sido uma constante, é o fado politico a que este povo está sujeito através do voto democrático.

O cidadão Pedro Passos Coelho meteu o político Pedro Passos Coelho num imbróglio de todo o tamanho, por culpa própria, não reconhecendo o que todos estavam dispostos a exonerar, bastando para tanto não ter trilhado o caminho que trilhou: atribuindo as culpas à ineficácia da máquina fiscal – não reconhecendo que o cidadão é que tem o dever de pagar e não o estado de exigir -; comparando o seu caso a outros – alguns com domicílio no estabelecimento prisional de Évora -, dizendo mesmo que não usa o seu lugar para enriquecer, numa tentativa de autocondescendência infeliz; e por último o argumento que me parece o mais frágil de todos, dado por Marco António Costa (ex-Secretário de Estado da Segurança Social), que refere: “não conhecia e não sabia da responsabilidade de pagar”.

Perdão? Pode repetir? Marco António Costa, cuja sua praia profissional é o Direito, diz-nos assim, a frio, que desconhece o mais elementar principio iluminista, segundo o qual: “a ignorância da lei, não aproveita a ninguém”, vertido no artigo 6º do Código Civil Português.

Quanto a mim, o caso ficava resolvido se o Sr. Primeiro-ministro pedisse desculpa. Sim, desculpa! A coisa simplifica-se quando assumimos os nossos erros. Não digo «fraquezas» ou «imperfeições» da natureza humana, digo erros. Erro de esquecimento, erro de omissão, erro de incumprimento ou simplesmente o erro de reconhecer que algo deveria ter sido feito e não foi. E o caso ficava resolvido. Ao invés, preferiu-se puxar o gatilho e disparar vezes sem conta, revelando ao país que temos um primeiro-ministro Humano – esclarecimento que aliás, surpreende todos quanto, ao nível fiscal, viram a sua vida condicionada pela falta de pagamento dos deveres contributivos -.

O que aconteceu ao primeiro-ministro foi, pelo contrário, um desnecessário desgaste público e político, tendo os vários partidos da oposição, que nem o seu trabalho sabem fazer, tentado através de argumentos do arco da velha, arranjarem fundamentos para a demissão do primeiro ministro como se a nossa tradição politica, em casos como este, nos levasse a tanto. Veja-se o BE: Exige a demissão do PM, porque paga uma dívida prescrita, mas bate palmas ao líder do PODEMOS por receber ilegalmente dividendos provindos da Venezuela, que refere o Estado Espanhol, não sofreram qualquer tributação fiscal.

A política portuguesa é assim: um imbróglio perfeito!

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