“Impeachment”, dizem eles

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O meu texto de hoje, para o jornal i:

Segundo a imprensa do país que deu o samba ao mundo, Dilma tem pé de chumbo e ouvido duro. No dia 15 de Março um corpo de milhões brasileiros de vários campos políticos andou a passear-se pelas ruas de S. Paulo exigindo o impeachment da presidenta petista. A história é uma edição revista e aumentada da “marcha dos cem mil” que gritava pela cabeça de Fernando Henrique Cardoso, corria o ano de 1999, o primeiro do segundo mandato de FHC.

Repare-se que a data escolhida foi precisamente um domingo, de modo a não causar transtornos para o trabalhador ou utente dos diversos serviços da cidade. Esta diferença é assinalável: a esquerda quando sai à rua só encontra paralelo nos estudantes em greve: motivo de baldanço às aulas e magna oportunidade para apresentar os seus dotes de comediante numa qualquer RGA. Nas ruas de S. Paulo não havia nenhuma organização partidária ou sindical; os cartazes não exibiam pedidos de “direitos” ou de qualquer tipo de privilégios mas sim o fim da corrupção, menos impostos, menos Estado, menos petismo e nenhuma Dilma. Ali pedia-se mais respeito pelas instituições democráticas. Na visão de um advogado de ex-primeiro-ministro, terá sido uma “manif” com contornos de elegância por ali faltarem os tradicionais revolucionários de sovaco bravo a precisar de tomar banho.

Nada que se compare com o nosso país, onde temos assistido, em sectores como o dos transportes, a uma banalização do direito à greve com as consequências a caírem sobre o utente.

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