Je suis Charlie.

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A distância que me separa de certas religiões é, na mesma medida, a que me separa de certos comportamentos: Conheço-os, mas declino a concordância. Seja porque eu próprio professo uma fé, seja porque não condescendo com certos comportamentos.

Acontece que outros há que, confessando o credo num deus, comportam-se em nome desse mesmo deus como se tudo pudessem e nada existisse; podendo tudo, fazendo tudo, existindo tudo. Com esses, que são a parte e não o todo em qualquer religião, tenho um problema grave: a liberdade.

Ontem, num comportamento que recuso entender e cuja fé – seja lá pelo que for -, foi gritada enquanto se abatia a sangue frio outros iguais a nós, tentou-se impor a fé pelo medo, num esforço de silenciar quem pensa e escreve diferente.

Ontem, o diferente ficou igual. Igual na defesa da liberdade, na defesa do direito que temos a falar, na solidariedade e na fraternidade. Hoje, somos iguais na luta contra quem odeia e despreza.

Ontem, em nome de um deus, matou-se. O absurdo fica difícil de explicar ou compreender. Não foi a primeira vez, nem será a última e com esses continuarei a ter o mesmo problema enquanto os (tentar) respeitar e eles me/nos desrespeitarem.

Eu também tenho um Deus. Ao invés, o meu proíbe-me de matar. De maldizer. De desprezar ou ridicularizar seja que Homem for, tenha o credo que tiver. O meu Deus, que é misericordioso, protege-me contra esses, cujas ruas da intolerância percorrem de arma em punho, vingando e vingando-se por eles próprios… não serem como Deus.

Je suis Charlie.

150107165403-je-suis-charlie-translations-exlarge-169Hamyd Mourad, Said Kouachi, Chérif Kouachi: Vous n’êtes pas Charlie, vous êtes stupide!!

 

Rúben Fonseca

 

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