Julianne Moore

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Em conversa sobre qual seria a melhor actriz Hollywoodense da actualidade, cheguei à conclusão de que a minha eleita é Julianne Moore. Claro que Carie (2013) foi uma excepção.

A primeira razão é o sorriso. O sorriso de Moore é sincero mas misterioso, múltiplo, tenaz e é impossível não o associar a uma certa frieza (ou, dito de forma mais polida) conveniência burguesa que normalmente aprisiona muitas das personagens Moorianas. É um sorriso de fachada, uma máscara que disfarça um corpo cansado e suspenso. Vemo-lo (ao corpo, à suspensão, ao cansaço) em TheHours de SephenDaldry ou no caminhar ingreme e recto, a deambular pelas ruas de Farfromheaven de ToddHaynes. Um corpo tão inerte que parece sobrenatural, um corpo moribundo que carrega uma cara que sorri ou, melhor, que vai sorrindo.E por falar em sobrenatural: a cena em que descobre que o seu marido é homossexual, em Farfromheaven. Nem me atrevo a descrever.Em BoogieNights, de Paul T. Anderson, é o seu ritmo que é surreal: a cena em que Moore acende um cigarro e o coloca nos seus lábios é de tal modo lenta e lânguida que temos a sensação de ter sido filmada em slow motion. A cena é de uma indolência absoluta e absurda. Em Chloe, ao lado de uma Amanda Seyfried docemente vunlnerável, Julianne Moore é fria mas frágil. Lá está, de novo, o sorriso, o torpor.

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E depois são os gestos, de uma beleza singular: quando Moore se apaixona pelo jardineiro negro em Farfromheaven, toca (repare-se na doçura) no lenço, segurando (o lenço e ao mesmo tempo a si mesma), com a mão direita enquanto sorri, petrificada como uma estátua com uma paisagem brutal – nesse sentido de bruta, rude, crua – em seu redor.

Julianne Moore é realmente fantasmagórica. Às vezes parece olhar os outros através de uma sala de vidro, ausente, como em TheHours, na cena em que conta a história de Mrs. Dalloway e através dela fala de si mesma. O rosto é alucinante, transparecendo a lucidez e a diversão de alguém que envia um pedido de socorro sabendo, à partida, que jamais alguém virá. Julianne Moore é assim: brinca com a depressão, com a tristeza das suas personagens, e creio que é isso que faz dela uma grande actriz e um ser extremamente livre. Pergunto-me se a sua representação não será terapêutica ou uma espécie de catarse encenada. E, como se já não bastasse, ainda há a personagem de Moore no Single Man do Tom Ford, em SavageGrace do Tom Kalin, mas isso provoca outro tipo de palpitações…E no Magnolia? Puramente galvânica. Depois, tenho de dizer, Julianne Moore é tão boa actriz que até alguns Democratas americanos sentiram pena de Sarah Palin em Game Change.

Leio nos Cahiers deste mês que Moore tem dito em várias entrevistas que não tem medo de envelhecer. Percebo-a e bastou-me ver o trailer de Maps to the Stars, do David Cronenberg, em breve em Portugal.

 Graça Canto Moniz

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