Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

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O Dia do Estudante ficou este ano marcado por um convite, cuja controvérsia não residiu no conteúdo do mesmo, mas na forma como foi declinado. Mas vamos por partes:

O Sr. Primeiro-ministro para assinalar o Dia do Estudante, que se comemora a 24 de Março, convidou todas as estruturas académicas afectas ao Ensino Superior para um almoço conjunto. Até aqui nada de mais, não fosse a recusa do convite em «jeito de oposição», por parte da Associação Académica de Coimbra (AAC). Estiveram presente todas as restantes Academias do país, menos Coimbra. É certo que as boas maneiras cabem em todo o lado, mas a peça teatral aludiu a dois argumentos: “uma questão de agenda, mas também de princípio”! Quem o disse foi Bruno Matias, presidente da Direcção Geral da AAC.

Ora, na minha altura a DG/AAC e os seus presidentes, vertiam para as lutas estudantis o brio e a postura que os distanciava de qualquer afeição político-partidária. No meu tempo, líderes como o Paulo Fernandes (com quem tive o gosto de colaborar na DG), André Oliveira e Jorge Serrote, transmitiram o espírito de missão que prende um líder da maior academia do país e tinham tempo; Tempo na agenda para debaterem com os governantes temas que desassossegavam os estudantes; e Princípios, quando colocavam o seu mandato à frente de qualquer inclinação partidária. Os princípios que os norteavam na direcção de uma academia com mais de 120 anos de história, transpareciam neutralidade partidária.

Tal como hoje, a luta era em prol de um Ensino Superior justo que não excluísse, mas que pelo contrário promovesse condições para todos. As manif´s eram em torno da diminuição das propinas, contra a politica orçamental para o sector, contra a implementação do processo de Bolonha, contra os cortes na acção social escolar, entre tantas outras que tal como hoje, mutatis mutandis, afligem os dirigentes associativos.

Eram tempos em que não se misturava a política de educação com a simpatia político-partidária e não se confundia coragem com demagogia. Ontem, o presidente da DG/AAC mostrou ser muito mais fiel à sua filiação partidária do que aos estudantes de Coimbra e ficamos a saber que Bruno Matias não tem muito tempo para falar com Pedro Passos Coelho, mas tem de sobra para se juntar a António Costa em acções de campanha. É assim o presidente da AAC, uma espécie de servente socialista vestido de capa e batina.

Não há nenhum problema que Bruno Matias não simpatize com o Primeiro-ministro (e para ele já não sai um F-R-A), mas há acrescida preocupação pelo facto de não querer defender os estudantes junto do Governo, demonstrando de forma débil e folclórica que cerca de 500 estudantes – presentes numa espécie de manifestação -, representam uma academia com cerca de 20 mil. Uma coisa já sabemos, o Bruno já esta em pré-campanha para as legislativas, com agenda e princípios definidos, bem ao estilo do PS.

No meu tempo nunca vi tal coisa, mas isso era noutro tempo. Ao que parece, hoje, os tempos mudaram…

Rúben Fonseca

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