O futebol, ou talvez não

By  |  0 Comments

A competição começou e os dados foram lançados.Os resultados nos jogos de preparação não foram os melhores, e as exibições também não. Mesmo assim, a esperança era muita. A equipa estava aparentemente unida e os principais adversários pareciam estar em baixo. Os seleccionados foram apresentados e, de uma maneira ou outra, acabaram por conseguir unir muitos à volta deles (sem consenso alargado).

Chegados à altura crucial, a Alemanha continuou a vencer e nós falhámos. Como país e como equipa.

Falhámos fisicamente, tacticamente e na capacidade de articulação estratégica dos sectores.

Falhou o estilo da liderança. Houve determinação, mas disfarçada de uma exagerada interiorização da crítica. Uma constante necessidade de provação do valor, que afinal não era assim tanto.

Falharam os jogadores. Não corresponderam e não convenceram. Esse balanço tem de ser feito e tem de haver consequências, pelo bem do país. As escolhas foram feitas por estatutos e os lugares do onze também foram nitidamente mantidos por estatutos. E quem está preso a isto, está em negação e não consegue interpretar e mudar.

Defendi tantas e tantas vezes esta liderança. Acreditei verdadeiramente que seria capaz de fazer diferente e fazer história. Desta forma, não aceito que se fale em traição. Ou em má-fé. Ou em oportunismo. Ou em interesses pessoais. O treinador falhou e tem de saber ler todos os sinais que vão nesse sentido. E quando se falha, a posição tem de estar em causa, mesmo que o fim do contrato estivesse agendado para mais tarde. Mais uma vez, pelo bem do país.

O comportamento mais indigno seria não ligar a isto, continuar na mesma e pôr em risco as próximas fases de apuramento e as próprias fases finais das competições.

Não fico fora desse combate. Porque temos capacidade para mobilizar muito mais. Porque merecemos muito mais. Porque Portugal necessita urgentemente de muito mais e tem de estar acima de tudo.

O futebol podia ter sido o tema deste texto. Mas se calhar, não foi. Para bom socialista, meia palavra basta.

José Pedro Gomes

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.