Os fildalgos.

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Reparam no enorme manto, transpirando vaidade? O pajem a erguer a soberba que não cabe em si mesma? O apelido brasonado? São eles, os “Fidalgos”.

Historicamente a culpa é D. Carlos III que, trazendo o título de Castela, pretendia ver distinguidos os cavaleiros e escudeiros de nobreza herdada ou de linhagem. Hoje, mudou tudo!

Já dispensam o Bettencourt ou Vasconcelos. Não precisam do apelido para coisíssima nenhuma. A fidalguia galgou os muros da vergonha e apresenta-se de autocarro e farnel à frente da Assembleia, erguendo cartazes e reclamando o colégio para o puto. Topem ao ponto que isto chegou!!!

O debate – que importa -, é sobre este Governo e as suas reformas na educação. Em particular na carta de foral chamado Contratos de Associação, que retira às famílias da fidalguia barata a benesse de verem os petiz crescerem como “lords”, com o dinheiro da restante plebe.

O insólito resulta do uso costumeiro a que muitos fidalgos se habituaram: O estado subsidiar o colégio do puto.

Ora, em circunstâncias normais, qualquer concidadão do norte da Europa se ria às gargalhadas, deste tipo de condescendência lusa. Repito: o estado subsidiar o colégio do puto.

Os contratos de associação serviram em tempos, para colmatar as falhas da rede de ensino público e nessa perspectiva – através dos diplomas legais -, criar condições para que, numa lógica de atenuação de lacunas, se suprimisse as carências efectivas das escolas estatais. O que hoje, manifestamente não acontece!

Pelo contrário, havendo escolas públicas com capacidade para receber alunos, estas são preteridas pelos pais fidalgos em detrimento dos colégios privados. Atenção, nada contra! O estado assegura a liberdade de escolha, mas desde que assumam, sem financiamentos estatais, os encargos da criança. Eu próprio pretendo meter o meu mais novo num colégio (se tiver dinheiro para ele). Caso não seja possível e o Governo continue teimoso nesta senda de repor a normalidade democrática, o rapaz segue para o liceu.

Ou há moralidade ou comemos todos!

Confesso que, por vezes, odeio andar de autocarro com a restante plebe. A tosse, a transpiração e o bafo alheios, são coisas que me indignam. O tamanho da minha indignação é tão grande que era bem capaz de reivindicar um subsidio para andar de cú tremido num Uber. Mas é ridículo! Enxergo-me e desisto da ideia.

Ao ver os fidalgos na TV, vestidos de amarelo e a balbuciarem coisas como “o estado tem de pagar o colégio do meu filho”, só me dá, de novo, para reflectir acerca do meu péssimo hábito de andar de autocarro. E já concluí: Não tarda visto-me de azul turquesa e monto espectáculo à frente do Parlamento.

Estou avisar!

Rúben Fonseca