Os heróis de Hollywood

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Sobre os Óscares 2014? Previsíveis. Mas, sejamos realistas, é Hollywood. A cerimónia é uma encenação de duas horas e meia em torno do glamour (que raio de palavra essa) de Hollywood. Mas, em rigor, este ano, foi uma encenação que podia ter sido melhor. Eu explico. O “tema” era demasiado sugestivo: heróis. Quem são os heróis de Hollywood? Fácil. O melhor actor-herói é Matthew McConaughey (O Clube de Dallas); claro que a Academia do glamour não ia atribuireste Óscar a um actor tão cool como DiCaprio. Devia, por causa do glamour, mas não há Óscares para actores cool antes dos 50. Paul Newman, Humphrey Bogart, Marlon Brando e Jack Nicholson confirmam a tese.

O melhor filme heroico seria, obviamente, o de Steve McQueen (12 Anos de Escravo); Pois é, está para chegar o dia em que Hollywood não atribuirá o Óscar de melhor filme ao mais mainstream dos nomeados, sobretudo se for sobre um pecado original o que, no caso, era a escravatura. A melhor actriz-heroína principal? Cate Blanchett, a minha heróina pessoal de Blue Jasmine. A melhor actriz-heroína secundária, Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravo).

Vou parar na Lupita porque foi, na minha opinião, o momento alto da cerimónia, apenas inferiorizado pela recauchutada Kim Novak, heroína de tempos hitchcockianos, a apresentar, ironicamente, o Óscar atribuído ao Fronzen (que, aqui entre nós, não chega aos pés do Gru – O Mal disposto 2). Mas, voltando à Lupita, além de ter dado uma lição de humildade no meio de tantas distintas manifestações de ego, fez um discurso comovente e tão comovente que até Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) chorou. Não me refiro à parte final, mais melodramática, dos sonhos de menino (como a música do Tony), mas àquela frase chave “it doesn’t escape me for one moment that so much joy in my life is thanks to so much pain in someone else’s (…)”. É o efeito borboleta, Lupita.

Porém, em geral, este espectáculo deixa algumas dúvidas a pairar. Vejamos: i. será que a pizza que comeram durante a cerimónia era boa?; ii. Quem é que não tentou entrar no (é “no” ou “na”?) “selfie” da Ellen? Creio que só o emplastro não quis; iii. Quem era a Senhora sinistra a apresentar o Óscar de melhor filme de animação? Era mesmo Kim Novak, a heroína de Vertigo; iv. De 0-10, qual o grau de embriaguez de Jennifer Lawrence?; v. Porque é que Cate Blanchett se virou para Julia Roberts e disse “suck it”?

Uma breve referência aos altos e baixos dos ditos cujos. Começando pelos baixos: i. Ellen. Sim, um monólogo muito flat, sem músicas (apenas o tema da sua vida: aonde as hormonas forem, aí irei eu gemer), sem dança, com piadas assim-assim; ii. O Big selfie; iii. Houve algum ensaio? Se houve ninguém deve ter comparecido, era só pregos nas falas; iv. Não terá faltado uma referência a Philip Seymor Hoffman? Quanto aos altos: i. O discurso de Jared Leto, de Lupita Nyong’o e o de Matthew McConaughey; ii. a dança Lupita-Pharell; iii. Darlene Love a cantar depois da entrega do Óscar de melhor documentário; iv. O tributo de Bill Murray a Harold Ramis.

Para rematar, e numa opinião muito pessoal, creio que na lista dos nomeados, um filme ficou esquecido: Enough Said (Nicole Holofcener), com o incrível James Gandolfini (sim, um actor maior que Tony Soprano) e Julia Louis-Dreyfuis.

Graça Canto Moniz

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