Políticos e outros que tais…

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A/C do Sr. Primeiros-Ministro, Deputados, Políticos e outros que tais…

V.Exas estão mal habituados. Nós cidadãos, somos pouco criteriosos na escolha de quem nos representa.

É certo que a quantidade nunca foi qualidade, mas impõe-se uma ratio, num país em que urge ter bons políticos a tomarem boas decisões. Notem! Boas decisões. Calibradas entre a justiça e a ética. O que é o mínimo, tendo em conta que a defesa da causa pública, nem deveria ter lugar a exigências.  Deveria ser uma auto-imposição a cada mandato. Acontece que não é assim.

E refiro-me a dois casos – dos mais flagrantes -, nas últimas semanas:

  • O relatório da Subcomissão de Ética, refere não existe incompatibilidade no caso da contratação da antiga ministra das Finanças pela empresa de gestão de dívida Arrow Global.

Maria Luis Albuquerque foi ex-ministra das finanças. Teve decisão sobre matéria sensível de interesse do estado, isto é, de todos nós. Acontece que recebeu, poucos meses após ter abandonado o Ministério, um convite de uma empresa que compra dívida a bancos e empresas para, depois, negociá-la. Matéria que tinha passado pelas mãos da ministra.

O convite foi endereçado ainda não tinha terminado o período de nojo. Aquele que se impõe à conduta de qualquer Homem-médio. E foi logo ali, pouco tempo depois de abandonar as Finanças e «assim», a seco, sem pruridos. O ponto nem é a proposta, nem a aceitação – como disse somos pouco criteriosos na escolha dos nossos políticos -.  A questão é o relatório da Sub-comissão de Ética que analisou “eventuais incompatibilidades”.

O deputado-relator Paulo Rios socorre-se de “um critério estritamente legal”, para avalizar a contratação. Perdão? Pode repetir Sr. deputado? Legal?
Paulo Rios, cuja praia-profissional é Direito, acabou de nos dar uma consulta grátis. Mas o aconselhamento que se impõe não é jurídico. É ético. Moral. De rectidão! Para isso, percebemos, os deputados estão inabilitados. Fim da história!

  • Governo contrata amigo do primeiro-ministro.

Já todos sabíamos que o nosso país parece uma espécie de cotada privada, que inclui o uso e disponibilidade do bem que é de todos. Mas pelo menos de X em X anos, legitimamos esse abuso pelo voto. Agora, o voto dá uma espécie de bónus. Um plus one como nos casamentos.

António Costa, Primeiro-ministro de Portugal, achou por bem contratar, directamente, um «amigalhaço» para o ajudar nas lides politicas e em negócios que envolvem o próprio Estado português. Bom, impõem-se algumas perguntas:

Foi eleito? Não. Nomeado? Não. Presta contas ao Parlamento? Não. Então a quem presta? Provavelmente ao seu amigo que o contratou. Mas nada mais. Uma espécie de Ministro-sombra, sem pasta, nem sufrágio.

Dou de barato a amizade e o valor que receberá. Ter amigos não é pecado e pagar-lhes por um cargo que ocupa também não. Mas se são bons, são Ministros ou Secretários de Estado, adstritos à avaliação dos eleitores. Não são negociadores pessoais do Primeiro-ministro em nome do Estado.

Não sentiram nada? O cheiro? A lama e o lodo? No espectro politico é isto ou pelo menos isto que se passa. Não com todos, mas com a maioria.

Rúben Fonseca