Regina Azevedo Pinto | “Addio, Anita Ekberg, eterna musa di Fellini!”

By  |  0 Comments

regina foto1

Convidada do Rúben Fonseca***
_

Anita Ekberg, musa inspiradora de Fellini, e de qualquer romântico, ficará para sempre eternizada nas nossas melhores memórias com a sua entrada inefável na fonte de Trevi , pronunciando de forma epítome três lascivas palavras  “Marcello come here!” no filme La dolce vita.

 Uma verdadeira diva, portadora de uma beleza de uma jovem deusa, palavras de Fellini, protagonizou o momento mais emblemático do filme com uma personagem bastante sensual e ousada no seu tempo, mas de certa forma pura, inocente  e livre. Sylvia Rank,  com a cinestesia dos seus gestos quando entra para a fonte e acaricia a água consegue fazer com que qualquer um de nós escorregue deleitosamente para aquele momento, fazendo-nos sentir absorvidos por ela, vestindo-nos a pele a temperatura e o amor o coração. Que dicotomia de ousadia e amor, qualquer coração devoluto varre sentimentos bolorentos!

Envoltos neste misticismo de La dolce vita, um filme franco italiano de 1960, indubitavelmente uma das obras mais inspiradoras da sétima arte, onde existe uma transição do neorrealismo para o simbolismo, é um dos filmes mais importantes da década de 1960 e do século XX. Notória a marca  de mudança  na forma de narrar opta pela construção em episódios em detrimento de seguir a linearidade objetiva de uma história.

Um filme  de um romantismo inexaurível, que só os a preto e branco são detentores, com  sequências noturnas enaltece laços fortes com o cinema noir e com o expressionismo alemão. Somos assim convidados a entrar num cenário festivo, com mágicos contrastes de luz e sombra, grandes sobrancelhas femininas onde nos é apresentado o verdadeiro âmago cavernoso da sociedade burguesa italiana através dos olhos do personagem Marcello Rubini (o fascinante Marcello Mastroianni) uma Roma moderna e requintada que apenas é purificada pela alma das personagens. Bastante longe do classicismo moralista e sempre colocando a tónica na religião, o cinema italiano impressiona pela ousadia, coragem  poucos freios.

La dolce vita marcou uma época, contudo Anita Ekberg marcou todos os nossos corações deixando-os frémitos com os seus olhos clementes, exuberância e alegria, estabelecendo e implementando um padrão de beleza incomparável.

A presto Diva!

***Advogada, licenciada em direito pela Faculdade de Direito Universidade Nova de Lisboa.
Gosto de ler, escrever, de arte, do diferente e de chocolate. Adoro conhecer pessoas, cumprimentar novas culturas e ser inspirada pela beleza da vida.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.