Rúben Lopes | “A paixão do automóvel em Viseu”

By  |  0 Comments

Convidado do Gustavo Brás***

Por paixão, por lazer, por vaidade, por brio, por publicidade, por competição, por utilidade, por fins profissionais, ou seja bem pelo que for, o automóvel é um objeto, um bem que vai, para todos aqueles que partilham tal interesse, muito além de um simples meio de transporte.

À distância de um clique, ou de um movimento circular de aproximadamente 90º de chave, o automóvel torna-se, nesse momento a extensão do seu proprietário. É pois a passagem da existência orgânica à adrenalina mecânica.

mario silva_1982_bertelhe

Foto: autor desconhecido – Ponte de Bertelhe (Mundão) – Mário Silva, 1982

Fosse a paixão mensurável, qual a medida de paixão dos viseenses pela temática automóvel?

Platonicamente, uma cidade de eterna e longa paixão, mas, e na prática? Do Karting ao Rali, passando pelo Ralicross, Todo-o-Terreno, provas de perícia e regularidade, entre outras vertentes, quão valorizados são, não só os simples condutores viseenses, como todos os pilotos que semanalmente levam e elevam o nome da cidade jardim aos mais variados do retângulo à beira mar plantado?

Pois, do platónico ao prático existe um longo caminho e dentro de uma cidade recheada de campeões e valores nacionais dentro das mais variadas modalidades, o sentimento é comum… Quem corre, corre por gosto, sem patrocínios, muitas vezes sem meios, o que é certo é que o nome da nossa cidade é já um “habitué” na boca dos speakers das provas nacionais. Do pódio ao espetáculo, as razões para tal comunicação e reconhecimento é enorme. Pena é que Viseu, pela falta ou não de eventos dedicados à prática do desporto automóvel, não reconhece ou não conhece tais feitos.

“Aquela cidade do interior com o itinerário principal de elevado indice de sinistralidade”, é uma conotação, ou talvez a única, tristemente ligada à nossa cidade, automobilisticamente, quando tantas outras razões existem para que a nossa cidade figure, com elevado destaque, no mapa do mundo automóvel nacional.

Saudosos os tempos em que o parque da Feira de S. Mateus se vestia de gala, as escolas ficavam desertas e a isenção de horário era tolerada, para receber as melhores equipas mundiais de Rali, a participar no TAP, ou as melhores nacionais a participar no Dão Lafões.

O que mudou? O que podemos fazer?

Por Mcrae, por Mouton, por Vatanen, por Armindo Araújo, por Rui Madeira, por Araújo Pereira, por José Cruz, por Francisco Brites, por Hugo Lopes, por Jorge Almeida, por João Pedro Pais e por todos aqueles que levavam e levam à loucura todos os viseenses pelo serpentear ao longo da casa do guarda e da ponte de Bertelhe, à perícia de todos os que enchiam o adro da Feira, à velocidade vertiginosa das passagens por Moledo, Caramulo, Senhora do Castelo, Muna e São Macário, Viseu merece mais e os nossos embaixadores, os nossos campeões, merecem mais!

***Rúben Lopes é o Presidente do Clube Automóvel de Viseu. É Licenciado em Engenharia Mecânica, Mestre em Gestão Industrial pela ESTGV, e exerce funções de gestão na AutoMotorSport.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.