Sem palavras!

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Por certo, o caro leitor, já se deu conta de inconsistências, quando ao ler duas notícias que defendem a mesma coisa, estas, relatam realidades diferentes.

Recordando o humor de Laurel e Hardy, eternizados nas personagens de «Bucha e Estica», dou-me conta de um pormenor que fez toda a diferença na época e que, existindo contradições e trapalhadas, eu prefiro que elas não se verbalizem.

Não com tanta piada, mas com um esforço notável, aparecem cá no burgo, a Juventude Socialista (JS) e a Juventude Social Democrata (JSD) de Viseu, reclamando para si os créditos e méritos do renascido Conselho Municipal da Juventude (CMJ). Problema: ao contrário da dupla americana, estes falam. O que além de perder a eventual piada, faz-nos pensar se calados não diriam tudo. Cá para mim, aceito até sinais de fumo, desde que nesta matéria não verbalizem uma única palavra!

Na senda da audição, sempre ouvi dizer que só se deve falar de um tema, quando o dominamos ou então passamos por tontos. Ora, para as duas maiores juventudes partidárias da nossa cidade, não há nada mais falso. A coragem de ambas, leva-as a assumir paradoxos e a elevar as ideias para uma espécie de labirinto que só os próprios entendem. Mas vamos por partes.

O CMJ, estava inativo em Viseu por um único motivo: Fernando Ruas, ex-presidente da Câmara Municipal de Viseu (CMV), era à data, também presidente da Associação Nacional de Municípios, órgão que recusara ativar os CMJ, com base num regime jurídico que entretanto foi alterado – Lei nº6 de /2012 de 10 de Fevereiro -, deixando de ser o CMJ um órgão deliberativo e passando a ser meramente consultivo. Obedecendo ao mais fundamental dos princípios – o do exemplo -, Fernando Ruas, nunca permitiu que o CMJ vingasse em Viseu, o que acabou por acontecer com Almeida Henriques, atual presidente da CMV, sem que até então a JSD Viseu se manifestasse em relação ao dito órgão.

A JS Viseu, veio recordar urbi et orbi que o CMJ, “é um combate que lidera há muito em Viseu e no país”. Ora, se na primeira parte tem razão, a segunda é um perfeito exagero. O Jornal Público de 23 de Fevereiro de 2011, refere ser a Nacional da JSD, por meio dos deputados do PSD a propor “a criação de um Grupo de Trabalho na 12º Comissão (Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local), com os objetivos de melhorar a lei dos CMJ e de fazer a fiscalização parlamentar à implementação da mesma”. A JS Viseu, afastada da realidade, toma para si os louros, de algo em que nem interferiu. Astuto! Por sua vez, a JSD de Viseu, na mesma rota, mas sem nunca ter expressado opinião acerca do órgão, tira a vez aos jornalistas e num comunicado que reproduz as palavras de Almeida Henriques, refere orgulhosamente que o CMJ tem a sua “marca”!

O leitor está confuso? Não esteja. As palavras é que estão a mais. Por gestos, a coisa resultava na perfeição.

Quando nas décadas de 20 e 30, Laurel e Hardy, levavam o público a gargalhadas sem fim, estávamos longe de imaginar que as palavras viriam a estragar tudo. Honestamente, não sei a vossa opinião, mas para trapalhadas delirantes, eu continuo a preferir as do cinema mudo.

Rúben Fonseca

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