Ser (de) Viseu

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jc2507

Jornal do Centro – 25/07/2014

Estamos perante momentos de actividade e festa na nossa cidade. Sempre foi assim nesta altura. Mas a tendência de intensificação parece-me clara. Tenho dificuldade em descobrir quem perde com isso, até porque há para todos os gostos. Mercados de trocas, lavradores e velharias. Meia-maratona das Vindimas. Troféu de Ciclismo da cidade e Volta a Portugal. Festival de Jazz de Viseu. “Encontrarte Viseu”. Vista Curta. Cinema na Cidade. Feira de S. Mateus. Prove Viseu-Dão Lafões. Festival aéreo. Entre tantos e tantos outros eventos, sem esquecer as habituais festas das nossas freguesias, que são eternas.

A liderar tudo isto (e lá está o gosto), recebemos a quarta edição dos Jardins Efémeros. Refiro-me à sua liderança porque, mudando de tema anualmente, consegue exponenciar a criatividade, a expressão artística e a cultura. De que forma? Celebrando-as e mantendo-as. Simplesmente.

Como todas as ideias originais, os Jardins Efémeros têm uma cara. E nunca é demais relembrar, mesmo quando já vamos na quarta edição: Sandra Oliveira. É a ela que devemos isto. Muito obrigado Sandra. Pela ideia e pelo espírito de verdadeira democracia que floresce sempre que os jardins estão plantados.

Acho que é em momentos de crise que se nota a tendência para nos refugiarmos nas raízes, no que somos, donde viemos e onde estamos ou escolhemos estar. No fundo, a nossa identidade. Talvez seja por isso que, nestes momentos, nos dirigimos, como nunca, para a parte nobre da cidade. Lá está: onde tudo nasceu.

“Ser Viseu” ou “Ser de Viseu” significa cada vez mais ter uma identidade forte e uma matriz cultural vincada, graças a eventos como os Jardins Efémeros, os quais nos enchem de orgulho, nos enchem a alma e nos ensinam a reflectir e a olhar para a nossa “urbe” de outra forma.

Nesse sentido, defendo que um povo que consiga manter tudo isto, nunca se perderá. E mais do que isso: vencerá. Alguém um dia disse que “a crise de hoje é a anedota de amanhã.“ Vamos acreditar nisso.

Assim, nada melhor que terminar com João Luís Oliva, esse “semeador de fraternidades”, que acreditará sempre no sucesso dos povos que acreditam em si próprios, como os que são (de) Viseu: “De Viseu é quem cá nasceu, quem cá vive, quem por cá passa, quem de cá quer ser. Isso é ser cidade, sede de cidadania e não lugar de pertença material.”

É isso mesmo.

José Pedro Gomes

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