Tcharan!!!

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[De volta à Quadratura, depois de algum tempo em terrenos pantanosos, confesso que tudo o que me apetecia escrever seria o mais distante possível do ideário politico. Mas como Humano, tendo quase sempre e interminavelmente para o erro e para a inclinação de me desafiar a mim próprio].

Terminada a primeira volta das eleições (presidenciais) Brasileiras, constatamos duas coisas: – O Futebol e a política não são rivais, ajudam-se e elegem, algo que conhecíamos nos altos quadros da gestão desportiva, mas não nos que pisavam a relva. Veja-se o caso de Romário, reeleito deputado federal, repito, deputado federal, com 4,6 milhões de votos. Em Portugal era Primeiro-Ministro; – O palhaço tiririca, cujo slogan de campanha – “Vote no Tiririca. Pior do que está não fica!”, transmitia há quatro anos a honestidade de um não-politico, escolhendo o povo retirar-lhe 400 mil votos (ainda assim eleito), por dizer a verdade.

Em Portugal, temos um certame equivalente, protagonizado por um homem que diz estar longe de ser político, mas que cria um partido politico; que rasga as vestes dizendo que não vive da política, mas denuncia um ordenado chorudo, reclamando padrões de vida mais condignos. Marinho e Pinto é assim: Só não é o Tiririca, porque não usa peruca! Na verdade, Marinho e Pinto é um político carreirista que nem dá pelo pleonasmo.

A primeira vez que me cruzei com Marinho e Pinto (e peço a Deus que tenha sido a única), foi no auditório da Universidade, onde ele era convidado para falar sobre a Justiça em Portugal. Perturbado pelas questões levantadas, o então bastonário apontou-me o dedo dizendo que o perseguia, querendo eu, dizia ele, denegrir a sua imagem. Era eu caloiro e dizia-me isto o homem que participava no programa do Goucha, nas manhãs da TVI. Hoje, Marinho e Pinto ganha um salário perto dos 5000€, renunciou à militância do partido que o levou ao Parlamento Europeu e cria ele mesmo um Partido Politico, declarando que é candidato à Assembleia da República em 2015, “sem prejuízo das presidenciais em 2016”.

Na política como na vida, vamo-nos rindo com as bobagens do país irmão, lamentando por vezes as nossas, dispondo do voto que prefere o caricato à seriedade, a mentira ao rigor, o lodo à retidão. Para o bem ou para o mal em democracia é assim: Um voto informado vale tanto como o voto de esgoto!

Tcharan! 

Rúben Fonseca

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