Ter 25

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Ter 25 anos, em 2014, é estar em boa idade para manter uma réstia de esperança no futuro. Ter 25 é estar na época em que ainda se aguarda com assaz expectativa os próximos 25. Ter 25 é, para todos os que nasceram em Viseu, ter chegado ao mundo com a inauguração do Ruísmo, ter percorrido a infância e adolescência no seu apogeu e atingido a idade adulta durante o seu declínio.

É com agrado que aos 25 se recebem as boas novas que um novo tempo político sempre preconiza. Este tempo, chegado nos alvores de Outubro, tem poucos dias é certo, mas os suficientes para perceber que algo mudou. O que mudou? Bem, profissionalizou-se a comunicação enquanto a oposição marca passo teimando em manter o estatuto do luso-carolismo amador. O novo autarca nada diz sem consultar atentamente um Ipad, nunca fugindo à ordem de trabalhos imposta pelo mais célebre assessor para assuntos locais.

Em termos políticos, percebemos que em caso de dúvida opta-se pela extinção como no caso da EXPOVIS; apoia-se o empreendedorismo, a palavra de eleição entre gestores que usam gel nos cabelos e assentam gravatas berrantes em cinzentos fatos de centro comercial; enterra-se a cultura, o único campo onde Viseu não virá em primeiro. Será que temos vereador para esse tema? E, se temos, terá ele existência política?

Aos 25, a vida política, para uma não-socialista, resume-se à certeza da necessidade absoluta de tirar da sociedade o peso da autarquia. Se com o Ruísmo navegamos a onda do socialismo infraestruturante, com Almeida Henriques estamos na fase do deslumbramento característico dos gestores que em noites quentes têm sonhos húmidos com o Sr. Gekko e que começaram a ler Aquilino faz 25 dias. Ter 25 anos, no ano de 2014, em Viseu, é ser governado por um mix entre Sócrates e Relvas.

Graça Canto Moniz

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