Uma lição no Congresso!

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Quem acompanhou o congresso do meu partido, ficou longe de esperar um congresso tão cheio de lições.

Em vésperas de festejar o seu 40º aniversário, poucos eram os que acreditavam que no XXXV Congresso do Partido Social Democrata (PSD), se fosse passar algo mais que a aclamação ao líder e a manutenção de temas de conveniência, politiqueiros e ocos. Nada disso!

É certo que no passeio pelo Coliseu dos Recreios, – onde outrora Luís Filipe Menezes colocava o Norte contra o Sul, exorcizando os liberais elitistas e apontando o caminho para a verdadeira Social-democracia -, o nosso Primeiro-Ministro e líder do partido, mais não fez do que ser igual a si próprio: Objectivo, realista e remetendo para o vale da esperança, o que falta cumprir para sairmos do abismo económico-financeiro em que caímos. Mas como à mulher de César não se pede só que seja, pede-se contudo que pareça, Pedro Passos Coelho (PPC), comete um erro típico da politiquice: o pagamento de favores (seja lá o que isso signifique)! Porque se não o foi, bem que pareceu.

Miguel Relvas surge como cabeça de lista ao Conselho Nacional do PSD e o resultado das votações demonstram que nenhum outro Homem é tão silenciosamente detestado dentro do PSD como o ex-ministro. A constatação está plasmada na sensatez das votações: A lista liderada por Miguel Relvas teve apenas 23,4% do apoio dos congressistas, recolhendo apenas 18 mandatos. Para que tenhamos noção da enormidade da derrota, a JSD conseguiu 14!

Mas como em tudo na vida, o melhor fica sempre para o fim.

Esperavam-se alguns notáveis. E não falo de Marques Mendes, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite ou António Capucho (bom, esqueçam o último), porque nisto dos congressos: uns dizem que vão, outros não podem ir mesmo que quisessem e há quem vá e nem precisa de pedir licença.

O último caso é claramente o do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, que entre as suas habilidosas histórias da carochinha e o seu inteligente jogo duplo, conseguiu remeter António José Seguro para uma simples caricatura de um líder da oposição, ao mesmo tempo que lançava umas farpas a PPC, não se esquecendo de recordar às gerações ali presentes, o verdadeiro percurso do PSD, a social-democracia e o perigoso caminho do ultraliberalismo. Ora, claro está que teve todo o tempo do mundo para levantar o congresso e receber a ovação da noite.

Afinal de contas, o nosso partido precisa de inspiração, de coragem, de lucidez e já agora de quem lhes fale ao coração, porque “nem sempre podemos agradar, mas podemos sempre falar agradavelmente”.

Rúben Fonseca

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